Hoje escrevi uma frase que deu uma leveza. É algo difícil, parece que tive que ter coragem para escrever, como se fosse um desafio. Mas quando li foi acalentador:
Sou uma pessoa não-binária, não me sinto confortável com pronomes masculinos, prefiro linguagem neutra, e aceito pronomes femininos.
Não me identifico com os neologismos, então até hoje era difícil dizer que eu não me sinto confortável com pronomes masculinos. Isso me fazia sentir que, logo, eu preferiria pronomes femininos. O que não é o caso.
E ao não dizer isso, abria baita espaço para tratamento com pronomes masculinos.
Era eu caindo na falácia, na armadilha do gênero como algo binário, mais uma vez.
Mas colocar o “prefiro linguagem neutra” entre a negação do masculino e a abertura (ainda que não completa) ao feminino preencheu um espaço que marcou exatamente o aspecto não-binário da minha identidade de gênero 🩷